terça-feira, 31 de julho de 2007

Novo Estatuto do Jornalista

Lisboa, 17 Jul (Lusa)
- A comissária europeia da Sociedade de Informação e Comunicação Social, Viviane Reding, defendeu hoje que a liberdade do jornalismo deve ser auto-regulada pela classe, afastando a ideia de existirem regras europeias sobre o tema.
"Um director de um jornal disse-me que era preciso um diploma europeu sobre a liberdade do jornalismo e eu disse-lhe 'óptimo. Façam-no", contou Viviane Reding, defendendo tratar-se de uma questão que deve ser sujeita a auto-regulação. "Não é a Comissão Europeia que vai fazer isso, é a classe", afirmou a comissária num debate sobre "Os media da nova geração na era editorial", hoje realizado em Lisboa.
Também as questões da concentração e independência editorial dos media devem ser analisadas pelos jornalistas, apesar do pluralismo da imprensa estar a ser alvo de um estudo aprofundado realizado pela Comissão Europeia.
"As questões editoriais na área dos media, nomeadamente os códigos de conduta dos jornalistas, devem ser reguladas pela própria classe profissional", referiu. "Não compete aos governos nem aos comissários europeus ditar regras sobre questões editoriais", acrescentou.

Liberty & Learning

I have been saying this for some years now and so far I have been wrong. However, I am not discouraged. Public support for educational vouchers is growing. More and more states are considering proposals for vouchers or taz-funded scholarships. Pressure is building behind each of the 50 dams erected by the special interests. Most major public policy revolutions come only a lengthy buildup of support. But when the break comes, what had been politically impossible quickly becomes politically inevitable. So it will be for a competitive free-market educational system compatible with our basic values.
Milton Friedman, Liberty & Learning

Liberty & Learning — Milton Friedman's Voucher Idea at Fifty é um livro publicado pelo Cato Institute que reúne ensaios de distinguidos economistas e líderes de think tanks associados ao movimento de Liberdade de Educação, procurando avaliar os méritos do conceito dos "school vouchers", proposto por Milton Friedman no seu marcante ensaio de 1955, "The Role of Government in Education" e retomado em Capitalism and Freedom (1962) e Free to Choose (1980).
Cada contribuidor explora-se um conjunto extensivo de facetas económicas, sociais e políticas, demonstrando porque que não há razões para crer que um sistema liberalizado de educação não seria francamente superior aos actuais sistemas estatizados.Recomenda-se vivamente a várias "forças vivas" da sociedade interessadas na Educação.
Desde logo, ao status quo educativo. Refiro-me principalmente ao pessoal docente, não aos planeadores de serviço do Ministério que tem o belo nome newspeak de "Educação". Contrariamente à percepção imediata, uma liberalização da actividade de ensinar não reduziria a quantidade e qualidade de trabalho associado à Educação — antes pelo contrário — um mercado aberto permitiria a cada professor desenvolver ao máximo o seu talento obtendo assim máximos resultados e máxima satisfação profissional. A manutenção do actual sistema é contrária aos direitos económicos e políticos de pais e alunos, como é lesiva dos legítimos interesses das classes profissionais docentes.
Eu também recomendaria o livro a responsáveis políticos de direita da craveira intelectual de Nobre Guedes, para quem liberalizar parece equivalente a escancarar as portas para a entrada da caixa de Pandora de onde saltarão os cavaleiros do Apocalipse social. O livro explica como os sistemas de vouchers, onde quer que foram tentados, acabaram por produzir indivíduos com sentido cívico mais fortalecido - de tal forma que até Friedman foi obrigado, face às evidências empíricas recolhidas durante 50 anos, a rejeitar algumas suas próprias reticências iniciais.
O livro também aborda como não implementar um sistema de vouchers. Esta secção seria imensamente útil por exemplo para os responsáveis do Fórum para a Liberdade de Educação, inicativa notável que tem proposto alternativas políticas válidas em princípio, mas cuja mais recente proposta é perturbadora. O actual sistema estatal é um monopólio legal e económico em que o Estado determina quem, onde, e com que meios é feito o Ensino em Portugal — à mais bela maneira estalinista. A alternativa proposta consistiria num um sistema que na prática colocaria sob administração pública os estabelecimentos privados de acesso público (ou seja, não privativos), em nome de um livre acesso e da "liberdade de escolher". É uma subversão da ideia, porque truncada da "liberdade de ensinar".
De socialismo educativo para (inevitavelmante) fascismo educativo, obrigado mas não obrigado.
Por fim (o "The Fatal Conceit — The Errors of Socialism" do Hayek seria mais adequado...), aproveito para recomendar o livro a alguns colegas bloggers do Movimento "Liberal" Surreal— em especial ao admiradores confessos do progressismo educativo de John Dewey. Nada como educação privada (ler livros não sancionados pelo Estado) para arrumar com a ideia que liberalizar é "dar" liberdade à existência de horrendas práticas educativas. Ou que a verdadeira liberdade só será atingida quando o colectivo for cientificamente educada por ideias que obedeçam à Ciência e à Razão. Um dos grandes insights do livro é que os vouchers (ou tax-credits) se destinam a servir os indivíduos — nunca a moldar a sociedade ou a criar um "Homem Novo" "liberal". E que tentativas anticapitalistas de mitigar a sua raiz de mercado livre e laissez-faire dos vouchers só conduzirão a mais tirania política e mediocridade educativa, com outro disfarce.

CONTRA O MEDO... denúncia de expressão gritante

CONTRA O MEDO, LIBERDADE
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da Pide. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.
Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.
Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que “só é livre o homem que liberta”.
Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros.
Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia.
E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, “o partido sem medo”, como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado.
No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.
Há, é claro, o álibi do governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades.
Não necessariamente por maldade do governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu governo.
Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.
Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo.
Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu.
Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.
O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o governo, este passa a mandar no partido que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.
Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.
António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu “querido talvez” por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque “mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato.”
Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.
Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereotipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.
Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.
Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos.
Há mais vida para além das lógicas de aparelho.
Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.
Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny:
“Entre nós e as palavras, o nosso dever falar.”
Agora e sempre contra o medo, pela liberdade"
Manuel Alegre, jornal "Publico", 25 de Julho de 2007


Não sou do Partido Socialista, nem fã do pensamento e escrita de Manuel Alegre.
Mas baterei palmas a qualquer ser deste universo que se não cale perante as medidas vergonhosas deste Governo ou outro, que limite o direito à livre expressão do cidadão.
O que me leva a publicitar a entrevista de Manuel Alegre é a denúncia necessária e urgente das politicas de mordaça que este Governo prepara.
Por aqui, diz-se NÃO a todas elas e denunciam-se todas as tentativas de censura e ao respeito pelo Ser Humano - venham elas de que quadrante vierem.
Quantos blogues, sites, escritas, imagens e voz, vão estes políticos tentar calar??????????????
Nem conseguem fazer com que a Justiça seja celere e eficaz quanto mais calar um País que já não quer modelos velhos de pensamento e de pseudo-democratas.
Tenham, por favor, juízo...
A não que empreguem os desempregados deste País, como denunciadores, agentes de mais uns SIS quaiquer, mais "escutadores" de comunicação, etc, - agentes do medo!
Lá porque nos enchem de centros comerciais e outras anestesias tais, é tempo de entenderem que a matéria não vegetal pensante é, decerto, actuante no momento oportuno, não permitindo que esta normose continue a proliferar.
Como dizia hoje um amigo meu, quanto tempo vai levar para que estas leis, feitas de medida para cautela destes governantes, sejam adoptadas mais tarde por rivais que ganhem próximas eleições? Que gente tola - continua a funcionar em sistemas de "pescadinha de rabo na boca"...
Como dizia Martin Luther King, "Não me surpreendo com o grito dos maus, mas sim com o silêncio dos bons"
Por aqui... nada de silêncio(s)!
Hari

"Remar contra a maré é difícil mas enrijece"

Goëthe

Orwell, PIDE's e outros fracassados exercicios de "poderzinhos"


Sócrates e o Medo
"O primeiro-ministro despertou fantasmas do passado ao compreender mal os medos de ameaça à liberdade e por conviver mal com a crítica.
Não sei se hoje há mais medo do poder, um olhar para o lado e para o telemóvel no receio de que “ele está a observar-te”, a escutar-te, a controlar-te e receberás o devido castigo se ‘O’ estiveres a desagradar, em versão orwelliana.
Os casos Charrua e de Vieira do Minho despertaram os fantasmas de quem viveu antes do 25 da Abril. E de quem, mais novo, não o tendo sentido, é hoje mais cosmopolita. Fez Erasmus na Faculdade, conhece a Europa do Norte ao Sul, tem amigos no ‘messanger’ ou nos diversos ‘chats’ que podem ter várias nacionalidades, navega na Internet num mundo variado e ouviu falar da política de censura do Google na China.
É este novo Portugal, com dimensão desconhecida, que determinou a queda de José Sócrates nas sondagens quando se vislumbrou o mínimo sinal de ameaça ao núcleo central da nossa Constituição, o dos direitos liberdades e garantias.
Enquanto se deitavam para trás das costas direitos adquiridos, todos compreenderam que os tempos eram de dificuldade. Quando se levantaram dúvidas sobre o percurso académico do primeiro-ministro podemos ter ficado pelo encolher de ombros levando isso à razão da esperteza – que valorizamos – ou da batalha entre políticos – que em regra desprezamos. E nada aconteceu, naturalmente, à imagem de Sócrates.
Mas a ideia de alguém não poder, entre colegas, dizer mal do primeiro-ministro fez soar o alerta. Sempre o fizemos. Havia as anedotas de Américo Tomás. Após o 25 de Abril, Mário Soares foi sendo alvo das mais variadas caricaturas, a mais conhecida na versão afectuosa do “bochechas” E andámos uma década a dizer mal de Cavaco Silva e a votar nele, voltando a elegê-lo para Presidente da República. Como o mesmo poderá acontecer a Sócrates se souber conviver com a crítica e compreender os fantasmas que despertou.
O primeiro-ministro parece contudo compreender mal os medos e conviver pior com a crítica, as vaias, as anedotas sobre si e até mesmo com a simples discordância. Assim o revela a reacção na entrevista à SIC. Sobre o medo de que falou Manuel Alegre resolveu encontrar uma regularidade estatística – “Escreve um artigo sobre o medo de três em três anos”, disse. Mas não é isso que queremos ouvir. Queremos que o primeiro-ministro nos convença que dá valor à nossa liberdade de o criticar com a mesma convicção com que nos levou a acreditar que os sacrifícios que estamos a fazer são necessários.

Helena Garrido

"Diário Económico" 31 de Julho de 2007
in vistodaeconomia.blogs.iol.pt

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Poema Pouco Original do Medo


O Medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no múrmurio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
Ouvidos nos teus ouvidos

O Medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos) intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez
a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O Medo vai ter tudo
que se tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos a ratos

Sim
a ratos
Alexandre O'Neill

- Por aqui abrem-se as janelas e as portas para que os medos sejam arejados e nunca se instalem. Cuidamo-nos para que a patologia da normose nunca se enquiste!
Hari

domingo, 15 de julho de 2007

Eleições em Lisboa

Estalin dizia que o nacionalismo tinha que ir para a "lata de lixo da História", José Saramago considera que Portugal acabará por se integrar na Espanha.

Excerto da entrevista no DN:

"Seria, então, mais uma província de Espanha?" Pergunta o Diário de Notícias
Responde Saramago - "Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?"

Editado por António Costa da Silva

http://alcacovas.blogs.sapo.pt/

- Já percebi o porquê de tantos candidatos à Camara de Lisboa (!!!), treinam proxima candidatura a Madrid!

Eleições em Lisboa

Quando ainda não têm importância...
não vale a pena falar deles...
esperemos pelas boas obras dos pedreiros.

Eleições em Lisboa

Em cada 100 lisboetas, votaram 36.
Se alguma honestidade houvesse seria motivo para voltarem a casa envergonhados, mas penso que isso seria demasiado optimismo.
Em cada 100 lisboetas, 8(30%) elegeram o novo presidente, entusiasticamente aplaudido, por lisboetas vindos em excursões de vários pontos do país.
Brilhante, delicioso, pode acompanhar com puré de maçã e nozes.

do blog: http://riquita1303.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de julho de 2007

NOVOS HOTEIS NA REGIÃO DOURO

Dez novos hotéis de qualidade vão garantir oferta de mais 1000 camas
A região do Douro poderá contar nos próximos anos com mais 10 unidades turísticas de qualidade, representando um acréscimo de 1000 camas e investimentos de 60 milhões de euros, que vão suprimir lacunas a nível de alojamento

O Douro, Património Mundial da UNESCO desde 2001, é um território de grandes contrastes com indicadores socio-económicos abaixo da média nacional e actualmente alvo de vários projectos de unidades turísticas de elevada qualidade.
O turismo é mesmo apontado por alguns como a solução para o desenvolvimento deste território, onde a principal fonte de riqueza é o vinho do Porto e um terço da população activa trabalha na agricultura.

No âmbito do Plano Integrado Estruturante de Base Regional do Douro (PITER-Douro), homologado pela Secretaria de Estado do Turismo e que tem como chefe de fila a Região de Turismo do Douro Sul, foram aprovados nove projectos de natureza privada. Estes projectos envolvem um investimento de cerca de 60 milhões de euros, dos quais 18.7 milhões de euros são de natureza privada, encontrando-se em diferentes fases de implementação nos concelhos de Lamego, Tarouca, Armamar, Tabuaço, Baião, Alijó e Murça.

O chefe da Unidade de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, referiu que actualmente o Douro detém «apenas» sete por cento da capacidade de alojamento da Região Norte.

O turista que procura o Douro fica na região, por norma, apenas 1,3 dias mas, para aquele responsável, além das unidades hoteleiras, é necessário «trabalhar mais» os seus produtos.

Depois da abertura em Junho do Hotel Quinta da Romaneira (Alijó), o Douro vai contar com mais uma unidade hoteleira de categoria superior até ao final do mês de Julho.

O Aquapura Douro Valley Villas & SPA quis trazer a «hotelaria de cinco estrelas» para este território, unindo, segundo Sofia Brandão, directora de venda e marketing da unidade, a «autenticidade com o respeito pela cultura» local.

«Vamos oferecer aos nossos clientes um serviço de excelência muito habitual na Ásia mas pouco conhecido na Europa», garantiu à Agência Lusa Sofia Brandão.

O Aquapura, que se ergue na Quinta Vale de Abraão, concelho de Lamego, junto ao rio Douro, disponibiliza 50 quartos e 21 villas, três restaurantes e um bar, que estão rodeados de três hectares de mata, dispondo ainda de uma piscina exterior aquecida, um campo de ténis, espaço infantil e biblioteca.

O SPA, com 2.200 metros quadrados, inclui uma piscina interior aquecida e 10 salas de tratamento com luz natural.

Através de parcerias com marcas tailandesa e suíça, o SPA vai proporcionar tratamentos exclusivos com produtos locais, como a cereja, a azeitona e a uva.

Segundo Sofia Brandão, o Aquapura já contratou 80 pessoas e tem perspectivas de crescimento para os próximos quatro meses. Este empreendimento representa um investimento de 25 milhões de euros, contou com apoios internacionais e foi classificado como Projecto de Interesse Nacional (PIN).

A responsável referiu ainda que a abertura desta unidade está dependente do processo de licenciamento.



Melchior Moreira, presidente da Região de Turismo Douro Sul, disse à Lusa que a previsão de conclusão dos projectos PITER é Junho de 2008.

«Para além destes investimentos inscritos no PITER, há outros que têm sido tornados públicos, permitindo duplicar em 2009 o número de camas actuais», salientou.

O Douro Sul disponibiliza actualmente 748 camas espalhadas por 66 empreendimentos turísticos.Melchior Moreira considera este crescimento «considerável e muito razoável» e diz que vai ter «um grande impacto na economia do Douro e da Região Norte»Na sua opinião, vai ainda «suprimir as principais lacunas em termos de alojamento turístico», quer em hotelaria tradicional quer em hotéis rurais.

Para este responsável, os «entraves» na concretização dos projectos turísticos vão desde as irregularidades do solo à «grande concentração de minifúndios e à morosidade habitual de todos os trâmites organizacionais e burocráticos necessários, como criação, aprovação e implementação de qualquer projecto».

«Alguma falta de visão estratégica empresarial no Douro e a deficiente concertação entre entidades públicas e privadas limitam, por vezes, a eficácia e a celeridade necessárias aos processos», lamentou.

No entanto, Melchior Moreira salientou a «vontade e empenho de suplantar as dificuldades» que tem levado ao surgimento de novos projectos.

Para além dos projectos do PITER, existem ainda outros investimentos privados em unidades hoteleiras de categoria superior, como o Douro Marina Hotel, previsto para Mesão Frio e que foi classificado como PIN.

No entanto, este projecto do grupo Douro Azul arrasta-se há quatro anos sem que tenha saído do papel.

Este é precisamente o «desencanto» de Mário Ferreira, o empresário proprietário da Douro Azul, que lamenta o «excesso de burocracia» que está a condicionar a concretização do projecto.

Segundo o empresário, quatro anos depois da Douro Azul anunciar este empreendimento «ainda falta aprovar tudo», desde o plano de pormenor à própria arquitectura do resort, que vai já no terceiro projecto completo.

O presidente da Câmara de Mesão Frio, Marco Teixeira, disse à Lusa que o terceiro projecto do Douro Marina Hotel vai ser apresentado quarta-feira, continuando a incluir um hotel de luxo, um SPA vínico, um centro de congressos e um campo de golfe.

Marco Teixeira referiu que a construção do hotel avançará logo após a aprovação do Plano de Pormenor da Rede, que entra em discussão pública dentro de três semanas e vai permitir que esta estrutura seja construída nas margens do rio Douro.
Uma das novidades deste terceiro projecto é o «teleférico» que, segundo o autarca, ligará o resort, o Solar da Rede (também propriedade da Douro Azul) e a vila de Mesão Frio.

Marco Teixeira afirmou que, se este projecto não avançar, o desenvolvimento do seu concelho poderá «ser posto em causa», pois deixarão de ser criados 140 novos postos de emprego directos.


Lusa/SOL

APOIO OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


1 million 4 disability.eu
Apoio os direitos das pessoas com deficiência
Nós 1 000 000 de cidadãos europeus, assinamos para mudar a sociedade de amanhã
PORQUE ESTOU CONSCIENTE QUE …
 Mais de 50 milhões de cidadãos são portadores de deficiência
 As pessoas com deficiência confrontam-se diariamente com a
discriminação e o preconceito em todos os domínios da sua vida
 As pessoas com deficiência não beneficiam de um acesso igual à
educação, têm uma elevada taxa de desemprego e têm, em geral,
baixos rendimentos
 As pessoas com deficiência não se podem deslocar livremente
para o trabalho, restaurantes, teatro, cinema, bibliotecas, compras,
encontros com os amigos ou para qualquer outra actividade
quotidiana, devido à inacessibilidade dos transportes, passeios,
edifícios ou outros tipos de infra-estruturas públicas
 A livre circulação no seio da União Europeia não é mais que um
sonho longínquo para as pessoas com deficiência, pois obstáculos
de natureza essencialmente legislativa entravam os seus projectos
de se instalarem num outro país
 Mais de 200.000 de pessoas com deficiência na União Europeia
estão internadas em instituições contra a sua própria vontade e
vêem-se privadas dos seus direitos mais fundamentais
E PORQUE ACREDITO
Numa União Europeia que trabalhe a favor da protecção dos direitos
de todos os seus cidadãos sem distinção
 O direito ao igual acesso à educação
 O direito à igualdade de tratamento no domínio do emprego
 O direito ao reconhecimento e protecção igual perante a lei
 O direito à protecção social, à saúde e aos cuidados de longa
duração
 O direito a uma vida autónoma na sociedade
 O direito ao acesso aos transportes públicos, aos edifícios
e a todas as infra-estruturas públicas
 O direito ao acesso às tecnologias e serviços de informação e
de comunicação
 O direito ao acesso aos bens de utilização diária
TOMO POSIÇÃO, HOJE!
Por uma União Europeia que protege os direitos das pessoas com deficiência, com medidas legais
específicas que combatam todas as formas de discriminação e garantam a plena inclusão dos mais de
50 milhões de cidadãos com deficiência na sociedade europeia
European Disability Forum – Forum européen des personnes handicapées
Rue du Commerce 39-41 – B – 1000 Brussels

- Tel : +32/2/282.46.00
– Fax : +32/2/282.46.09
– E-mail : info@edf-feph.org

terça-feira, 10 de julho de 2007

If I Were A Bomb


This piece is from Zen master Thich Nath Hahn, which I first came across in Mushin's blog (at Zaadz):
If I were a bombready to explode,
if I have becomedangerous to your life,
then you must take care of me.
You think you can get away from me,but how?
I am here, right in your midst.
(You cannot remove me from your life.)
And I may explodeat any time.
I need your care.I need your time.
I need you to defuse me.
You are responsible for me,
because you have made the vow (and I heard it)
to love and to care.
I know that to take care for meyou need much patience,
much coolness.
I realize that in you there is also a bomb to be defused.
So why don't we help each other?
I need you to listen to me.
No one has listened to me.
No one understands my suffering,
including the ones who say they love me.
The pain inside meis suffocating me.
It is the TNT
that makes up the bomb.
There is no one elsewho will listen to me.
That is why I need you.
But you seem to be getting away from me.
You want to run for safety,
the kind of safetythat does not exist.
I have not created my own bomb.
It is you.
It is society.
It is family.
It is school.
It is tradition.
So please don't blame it on me.
Come and help;
if not, I will explode.
This is not a threat.
It is only a plea for your help.
I will also be of helpwhen it is your turn.



Conceição Matos distinguida com prémio Teresa Lasser


O trabalho de uma das coordenadoras do "Movimento Vencer e Viver", que ajuda mulheres com cancro da mama, foi reconhecido por uma rede internacional de apoio a estas doentes.

A coordenadora da direcção regional do sul do "Movimento Viver e Vencer", Conceição Matos, recebeu um galardão internacional pelo seu trabalho na luta contra o cancro da mama, foi hoje tornado público. O prémio Teresa Lasser 2007 foi entregue durante a Conferência Internacional do Reach to Recovery International, que decorreu em Estocolmo entre 30 de Maio e 2 de Junho.

Este galardão premeia “toda uma equipa de voluntárias que todos os dias procuram levar esperança e apoio a quem está a passar por uma das fases mais difíceis da sua vida, lutando contra esta doença”, salienta Conceição Matos que também lidera o projecto pan-americano para a criação e implementação de uma estrutura do movimento voluntário de apoio às pacientes com cancro da mama em toda a América do Sul.

Conceição Matos é também membro permanente da Direcção do Reach to Recovery International, um programa da União International contra o Cancro (UICC), com sede em Genebra.

sábado, 7 de julho de 2007

Novas estratégias moleculares para o tratamento de doenças neurodegenerativas


Escola de Verão começa domingo em Ofir
A Escola tem lugar no hotel Axis Ofir
A segunda edição da escola de Verão (Pens Summer School), com o apoio do PENS (Programme of European Neuroscience Schools), vai decorrer entre 8 e 15 de Julho, em Ofir. A exemplo do sucedido em 2004, os organizadores principais, Tiago Outeiro e Cristina Rego, trarão a Portugal alguns dos maiores especialistas de investigação em neurociências e doenças neurodegenerativas.

Os 40 participantes, vindos de todo o mundo, terão oportunidade de ouvir e interagir com os investigadores convidados, num formato inovador que encoraja a troca de ideias e o desenvolvimento de colaborações. Esta escola reforça também a posição de Portugal ao nível do ensino das neurociências e dá oportunidade para alguns dos convidados darem seminarios no Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, e no Centro de Neurociencias, em Coimbra.
Para mais informações consultar:


quinta-feira, 5 de julho de 2007

Melchior Moreira toma posse na Região de Turismo Douro Sul


O deputado do PSD eleito por Viseu, Melchior Moreira, natural de Lamego, é o novo presidente da Região de Turismo Douro Sul (RTDS). A tomada de posse decorreu no passado dia 5, no Ministério da Economia.
Melchior Morreira, eleito em Março, para um mandato de quatro anos, com 12 dos 23 votos, substitui Jorge Osório, que durante anos geriu os destinos da RTDS e que continua a integrar a lista agora empossada.
O novo responsável por este organismo pretende alicerçar a oferta turística da região em três produtos turísticos:
gastronomia e vinho, touring (incluindo passeios fluviais) e turismo de natureza.
“Ainda há muito para fazer. Desde melhorar as acessibilidades na região, aumentar a oferta de qualidade, desenvolver outros segmentos de turismo, como o residencial e o de saúde, criar uma imagem forte promovendo definitivamente a MARCA DOURO”,
justifica.
Liderada por Melchior Moreira, fazem ainda parte da nova Comissão Executiva da RTDS as seguintes personalidades: Pinto dos Santos (Presidente da Câmara de Tabuaço), Jorge Osório (antigo Presidente da RTDS), Carlos Marinho (economista) e João Germano (Presidente da Câmara da Meda). Os vogais suplentes são: Francisco Lopes (Presidente da Câmara de Lamego), Jorge Custódio (Presidente da Associação Empresarial de Lamego), Carlos Santiago (vereador da Câmara de Sernancelhe) e Hernâni Almeida (Presidente da Câmara de Armamar).

http://www.cm-lamego.pt/index_2.htm

quarta-feira, 4 de julho de 2007

MINI SEMINÁRIO II sobre Integração de Emigrantes

Dia 7 de Julho, sábado, pelas 10h tera início um seminário todo o dia, em Alenquer, sobre a problemática do projecto INTI que o IPUEL tem vindo a desenvolver com o apoio do Banco Millennium BCP, da AEDAR, Fundaçao Gulbenkian e EUNET.
Participam nesta acção associações de imigrantes sobre os seguintes temas do programa:
II MINI SEMINARIO sobre Integração de Imigrantes
Alenquer, sábado 7 de JULHO, 10h
PROGRAMA:
10h. Abertura por Luís Nandin de Carvalho. Referência a divulgação do projecto INTI na Internet. Site do IPUEL e da EUNET
10.15h. Apresentação dos resultados do Seminário Internacional INTI de Copenhagen (Jorge Vilela de Carvalho) relatório a distribuir
10.30h Open Fórum sobre os temas seleccionados em Copenhagen:
Banco do Tempo, Jogos de Inclusão e Integração, Parlamento Europeu de Imigrantes e Micro crédito
11.00h Divulgação pela Dr. Ana Carreira do BCP MIllennium das particas bancárias em Portugal do Microcrédito, e a criação de emprego próprio. (distribuição de documentação)
11.30h Debate sobre os critérios de selecção de Boas Praticas e Projectos-piloto. Elaboração de fichas de projecto
12.00h Discussão sobre os trainers (facilitadores/consultores) Função, qualificações, encargos de remuneração, selecção, banco de dados, formação
13.00h (intervalo para almoço no local)
14.00h Debate sobre a possibilidade de um Parlamento europeu para Imigrantes, como órgão consultivo a nível europeu e com secções nacionais (a semelhança do Parlamento dos Jovens)15.00h Debate sobre a estrutura e organização de um network europeu de organizações de imigrantes ( de apoio ao Parlamento consultivo?)
16.00h Recolha de contributos, sugestões e ideias para novos projectos piloto, boas práticas, seminários de formação de trainers, candidaturas conjuntas a novos projectos comunitários eventualmente prosseguimento do projecto INTI depois de Janeiro de 2008
17.00h Conclusões e calendarização de novas reuniões :
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Documento em sete pontos para reflexão:
Tópicos para
II Mini Seminário INTI- Alenquer
7 Julho 2007
1) Necessidade de uma nova atitude e de um network nacional de associações de imigrantes que cooperem e colaborem em projectos conjuntos e com candidaturas de colaboração em vez da disputa e competição por subsídios e apoios financeiros.
2) Estimular nova perspectiva, em vez da politica de integração unilateral (diktat do país de acolhimento) com a filosofia de coexistência em educação para uma cidadania partilhada, e de inclusão (living together) em sociedades cada vez mais plurais.
3) Necessidade de politicas de apoio a selecção de imigrantes (na origem) e de apoio ao retorno aos territórios de origem, como boas práticas que favoreçam a integração. Eventual criação de um projecto-piloto neste tema e sua inclusão na formação de trainers?
4) Sugestão para a redacção do Manual (Hand Book) INTI, quer quanto a conceitos, e boas praticas quer também quanto a projectos-piloto com vista ser útil do ponto de vista dos imigrantes, ou seja no combate ao isolamento, à discriminação e a desvalorização sócio-profissional. No capitulo dos trainers, incluir perfis, funções, trabalho efectivo de consultoria, banco de dados, esquemas de remuneração (1/3 CE, 1/3 Estado e 1/3 associações?), línguas de expressão, mobilidade, introdução ao mercados e trabalho, conhecimentos e economia, direito, política nacional e e internacional, óptica de serviço não comercial, imigrantes não são clientes. Short term and long term, nível europeu e nível nacional, formação em boas praticas e projectos piloto
5) Favorecimento dos métodos de micro crédito e de criação do próprio emprego, de lojas de comércio justo principalmente para dinamização e economias relativas a produtos e serviços étnicos, artesanais e outros relativo aos territórios de origem dos imigrantes (ex coffee corner etiopia).
Educação económica, business and market language, mind, performance, coaching, o empowerment das associações de imigrantes, reconhecimento e equivalência de qualificações, formação inter cultural, apoio jurídico e de lobby, cooperação entre vários grupos de imigrantes, integração de deficientes, acesso a guidance (trainers), educação de familiares.
6) Manter uma atitude europeia dinâmica. Keep moving…partilha de cidadania, por activa, incremento da diversidade cultural, envolvimento politico, parlamento europeu dos imigrantes para aumento da participação na definição de politicas da EU e representação, mais igualdade de oportunidades, mais mobilidade inclusive familiar, programas de intercambio tipo Erasmus, envolvimento de políticos, direitos eleitorais.
7) Selecção de boas praticas e preojectos. Critérios a adoptar: benefícios mútuos, simplicidade, sucesso, transparência, transmissibilidades replicação possível, inovadoras, de dialogo, interactivas, reconhecimento social e dos media da utilidade, valor acrescentado e empowerment, envolvimento, push up económico, sustentabilidade, resultados mensuráveis, criação de novas oportunidades, experiência pratica, abertura de espírito, efeitos sobre a não discriminação e valorização das mulheres.

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A desumanidade da sociedade civil

As vantagens, que são muitas, da cidadania laica e do Estado de protecção social não incluem a humanidade.
Por razões de ordem pessoal, tive recentemente de me ocupar de questões ligadas à assistência aos desfavorecidos e à protecção de populações em risco. Entre estas, podem contar-se os idosos (especialmente sozinhos e doentes), crianças abandonadas, filhos de pais doentes, refugiados, vítimas de violência doméstica, pobres, certos desempregados, doentes acamados, pessoas sem abrigo, viciados, drogados, hospitalizados com parentes ausentes, presos e outros. Num vasto universo de organizações civis e não--governamentais que se dedicam ao apoio e ao conforto destas pessoas, encontrei ou tomei conhecimento da existência de milhares de voluntários que gastam, por dia, mês ou ano, horas sem fim com aqueles que assistem. Além do tempo de trabalho, que não é pouco, gastam também recursos pessoais.
Mais do que tudo isso, o esforço e a energia destas pessoas, em certas circunstâncias, são impressionantes. Quando vemos grupos de rapazes e raparigas a recolher alegremente géneros nos supermercados, podemos sempre pensar que existe algo de lúdico associado à generosidade. Mas esses são momentos excepcionais. O essencial da assistência e da solidariedade é muito mais difícil. O contacto humano com acamados idosos ou doentes terminais exige resiliência moral. Trazer, durante a noite, alimentos e uma palavra aos toxicodependentes e aos sem-abrigo, frequentando os locais mais esquálidos e infectos das cidades, implica um difícil despojamento dos códigos de comportamento estabelecidos. Levar água, pão e medicamentos a crianças doentes e esfomeadas nas áreas miseráveis onde se desenrolam guerras civis de enorme crueldade pede sacrifício e capacidade para correr riscos de vida. Visitar, todas as semanas, por vezes todos os dias, presos ou doentes, sempre em ambientes de dor ou de degradação física e moral, não é um gesto ao alcance de todos.
Esta assistência, voluntária, sem remuneração, recompensa ou visibilidade, é uma das reservas de decência na nossa sociedade muito mais interessada na mercadoria ou na exibição.
Ao estudar estas actividades, dei-me conta de que a maior parte das organizações e dos voluntários tem uma qualquer inspiração religiosa. São grupos e entidades ligados às Igrejas (em Portugal, sobretudo a católica), às ordens, às comunidades religiosas, às paróquias e a outras instituições. Notei algumas de inspiração laica, movidas pela mais simples solidariedade, mas são a minoria. Conheci mesmo voluntários ateus ou agnósticos que se dedicam a esta acção com os grupos religiosos, pois os consideram mais eficientes e mais genuínos.
Fica-se com a impressão de que a segurança organizada e o reconhecimento do direito de todos à protecção não substituem, nem de longe, a assistência humana e pessoal ou, mais simplesmente, o "amor ao próximo" em nome de um deus. As vantagens, que são muitas, da cidadania laica e do Estado de protecção social não incluem a humanidade, a decência e a capacidade para resolver caso a caso as situações individuais. A solidariedade civil parece não substituir o sentimento religioso.
Nos últimos anos, por causa da crescente voracidade da imprensa, mas também graças às tendências de evolução da sociedade (com maior escrutínio da actuação pública e maior consciência dos direitos das pessoas), quase todos os dias surgem notícias que põem em causa as competências e as funções do Estado-providência. Violência e assédio a menores nas instituições públicas estiveram à cabeça da lista. Menores abandonados às bolandas entre instituições e tribunais. Crianças desaparecidas ou abandonadas. Idosos brutalizados pelas famílias ou pelas instituições. Criminalidade e doença superiores nas zonas com mais densidade de populações em risco. Expansão das doenças contagiosas nas prisões e nas instituições. Em todos os casos, um traço comum: a falta de prontidão das agências oficiais, seja dos tribunais, sejam dos institutos ou serviços especializados. De comum ainda, a incapacidade de atender as pessoas com humanidade. Nada de novo. O sentido de humanidade e a decência, assim como a solidariedade, estão nas pessoas, não nas burocracias.
"Uma esmola dada a um pobre é mais um dia de atraso na revolução", terá dito Lenine ou um dos seus amigos. A esquerda (na qual incluo todas as espécies ditas racionalistas, republicanas, laicas, socialistas ou comunistas) viveu sempre em combate contra a caridade. A seu favor, fica o papel crucial que desempenhou no reconhecimento dos direitos sociais e da igualdade entre todos os cidadãos. Assim como o seu contributo para a criação do Estado-providência. Mas, a seu desfavor, fica a desumanização da assistência aos desprotegidos. O Estado não é eficiente, nem acode rapidamente. Sobretudo, o Estado não é capaz de trazer o que muitas vezes é essencial: o apoio humano, o conforto afectivo e a esperança.
Que o Estado não seja capaz de humanidade, não é para admirar. Mas que grande parte dos seus técnicos e funcionários também o não seja, já deixa a desejar. As instituições parecem feitas para enquadrar e regulamentar, não para agir individualmente, com a humana generosidade que, muitas vezes, faz tanta ou mais falta do que o alimento ou o abrigo.
Mais ainda: nessa enorme constelação de agências de voluntários, são poucas as organizações e poucas as pessoas que se dedicam a estas sacrificadas actividades por mero espírito de solidariedade laica. Para se dedicarem ao exibicionismo, ao dinheiro e à competitividade, os laicos entregam ao Estado as actividades de protecção e de solidariedade. Pode a sociedade civil distinguir-se pelas liberdades e pela igualdade. Mas falhou radicalmente na fraternidade.
António Barreto
in Jornal "Publico", 03.06.2007

terça-feira, 3 de julho de 2007

"FOLIA - Mistério de uma Noite de Pentecostes"


A Fundação CulturSintra e a Ésquilo – Edições e Multimédia têm o prazer de convidar V. Ex.ª para assistir ao lançamento do livro «FOLIA – MISTÉRIO DE UMA NOITE DE PENTECOSTES» da autoria de PAULO BORGES, que terá lugar na Quinta da Regaleira, sita na rua Barbosa du Bocage, 7, em Sintra, quarta-feira, 4 de Julho, pelas 21h00.
A apresentação estará a cargo do escritor Miguel Real e do músico Pedro Aires Magalhães.
Pelas 22h00 os presentes serão convidados a assistir à ante-estreia da peça FOLIA pelo «Teatro TapaFuros» com encenação de Rui Mário. A peça estará em cena nos jardins da Quinta da Regaleira de 5 de Julho a 8 de Setembro, quintas, sextas e sábados às 22h e domingos às 20h.